Ferramentas Pessoais

Apresentação

Exposição dos alunos de 2009

 

A arte em toda a sua gama de possibilidades tem o papel de refletir sobre a vida, apreender o que há de poético e perene; ao artista cabe então explorar a riqueza dos seres e das coisas, de modo a vivenciá-las de forma mais profunda. A meu ver, é devido a esta idéia que os professores da Escola São Paulo escolhem alguns trabalhos, com o fim de representar de certa forma, o que se produziu da metade do ano passado para cá.
Com efeito, a abrangência de técnicas é numerosa, mas pode se ver um fio condutor, que reflete a nossa época atual. Em todos os trabalhos, percebe-se uma busca (numas mais amadurecidas que em outras) de entender o que se passa à nossa volta, de ver de forma mais detida a fugacidade de nossos tempos, como se tentássemos, segurar por um momento, a areia que escorre das nossas mãos.
E o interessante é como cada um resolve esse dilema de modo extremamente pessoal. Encontramos assim pinturas que podem ir da abstração ao figurativo, o que, sem dúvida, mostra quantas maneiras há de plasmar o mundo sem a preocupação de defender um estilo ou outro, pois todos são possíveis; todos são parte integrante de nossa vivência.
Quanto à moda, a variedade de maneiras de abordá-la é ampla, pois temos desde fotos quase como books, passando por camisetas de estampa até aquarelas de figurinos, sem se esquecer dos moulages, que são uma amostra do processo inescapável de todo o futuro estilista. É interessante notar que as fotografias aqui presentes não servem apenas como recurso para se falar de moda; a foto tem também seu valor próprio, sua poética irrefutável, que diz respeito àquilo que as cidades e os objetos têm de sutis; de certo, algo tantas vezes ignorado, até que nos é revelado por um olhar mais atento.
Não menos curioso, pode ser visto nos vídeos, que são fruto de uma mescla de objetivos, à medida que os alunos se deparam com o conteúdo de cada curso que fazem aqui na Escola São Paulo. A exposição inclui ilustrações, além de enveredar pelo universo dos contos, dos blogs e da crítica de arte, com direito a uma performance inaugural de grafite, para o deleite dos olhos. Assim como temos muito a olhar (aliás, o toy-art está representado de forma vívida e alegre), temos também música eletrônica feita pelos alunos, sem dúvida uma das características dos tempos modernos.
Vale notar, sobretudo o cuidado de Bebel para enfatizar as obras de acordo com a plasticidade inerente de cada trabalho, sempre em busca da melhor disposição e iluminação, almejando proporcionar a devida atmosfera. É assim, diante de tanta diversidade de obras, que apreendemos o verdadeiro significado de uma galeria, ou seja, cultivar o que há de mais contundente em cada um de nós. Bom proveito.


Fábio Padilha Neves
Aluno da Escola São Paulo

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