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TEXTO DO CURADOR

2346 | mapa de ficções baseadas em fatos sobre as várias augustas
grupo LAT-23


Cartografias são sempre imprecisas. Um aspecto importante de 2346, criado pelo LAT-23, é discutir a impossibilidade de mostrar num mapa tudo sobre um lugar. Cartografar é propor pontos-de-vista sobre espaços (na paisagem otimista de usuários de mapas abertos e coletivos) ou delinear marcas em territórios (no cenário pessimista da cartografia clássica de viés militar).  Mesmo sobrepondo formas de ver a rua, 2346 só mostra a augusta por fragmentos de um mosaico incompleto. Histórias que se entrelaçam contando dias e noites particulares ou genéricos, fatos e dados inúteis ou inusitados, casos e coisas viscerais ou desnecessárias. Ao ficcionalizar relatos e selecionar estatísticas de forma arbitrária, 2346 conta tanto narrativas saborosas e histórias ardidas quanto a impossibilidade de mostrar um lugar a partir do que ele tem de específico. Painel de uma augusta em que os pequenos fatos almejam dizer algo da realidade desta rua onde cruzam pedestres e dirijem motoristas tão comuns e estranhos quanto todos que acumulam seus anos de vida nas ruas congestionadas de são paulo, que agora completa 456 anos.

 

Linhas coloridas representam visualmente o cruzamento de dados e fatos sobre os 3 quilometros da Augusta. Qual a relação entre os preços dos aluguéis e a altitude de trechos da rua medida com GPS? Onde aconteceram histórias memoráveis ou pequenas trivialidades na Augusta? Quantos litros de cachaça são vendidos num boteco de esquina? Quantas camisinhas são usadas numa noite lotada em um Hotel furreca da região? Quantos beirutes são vendidos num restaurante antigo e popular da Augusta? Quantos cigarros são comprados numa banca de revista? Quanto custa um táxi que vai da Martins Fontes à Estados Unidos, 6 horas da tarde?

 

Estes e outros dados resultam num mapa plotado na parede do espaço expositivo, numa série de QR-CODES distribuídos em bares e restaurantes da Augusta, e num mapa online em que o público também pode acrescentar suas próprias experiências nesta rua que é tema de música, suporte de obras de street art e cenário de filme. 2346 completa uma trilogia de mapas paulistas em que o LAT-23 busca desconstruir formas tradicionais de cartografia. O grupo trabalha com procedimentos de re-mapeamento, por meio de pesquisa sobre as relações entre formatos gráficos, online ou de mídias portáteis e os vários contextos em que circulam.

Sobre o grupo

LAT-23 é formado pelos artistas Cláudio Bueno, Denise Agassi, Marcus Bastos e Nacho Durán. Desenvolveu trabalhos como “Kandinsky by Perdizes”, exibido na exposição Connecting Urban Spaces, na Galeria Green Papaya (Manilla) e “coexistências”, indicado ao Prêmio Autonomias del Desacuerdo, no Festival Transitio_mx 2009 (México). Atualmente está desenvolvendo o trabalho “Cidades Visíveis”, premiado no RUMOS Itaú Cultural.

 

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