Ferramentas Pessoais

ULYSSES BÔSCOLO

CURRÍCULO

Ulysses Bôscolo

(1977, São Paulo, SP)

Estudou Artes Plásticas na FAAP, formando-se em 1999. Trabalha com gravuras em metal, xilogravuras, pinturas, objetos e ilustração de livros. Em 2007 realizou exposições em Nova York pela galeria Gravura Brasileira: Steuben West Gallery, no Pratt Institute e no Goloboroko´s Studio, com curadoria de Eduardo Besen. Ilustrou para a Editora Cosac & Naif os livros de Marçal Aquino “Cabeça a Prêmio” e “Famílias Terrivelmente Felizes” (2003). Trabalhou para a Ed. Planeta, ilustrando com xilogravuras e gravuras em metal o livro “Cachorros do Céu”, de Wilson Bueno (2005). Recentemente, pela Editora 34, trabalhou na edição dos Irmãos Karamazov, de Dostoievski, com imagens em bico de pena e nanquim (sumiê). Pela mesma editora ilustrou “O Cão Fantasma” de Ivan Turguêniev, totalmente em xilogravuras de topo e “Histórias de Bulka”, de Tostói, também em nanquim. Dedica-se em período integral a arte de desenhar, gravar e imprimir sobre papel, produzindo cadernos de colagens, fotografias e aquarelas. Em 2010 um do seus álbuns de xilogravuras e madeiras encontradas foi adquirido pelo Shopping Iguatemi para fazer parte do acervo da Pinacoteca do Estado de SP. É representado pela Galeria Mezanino.

Depoimento:

O que o Prêmio significou pra você?

O Premio foi um susto. Não esperava ganha-lo. Ele significou uma oportunidade em
investir no meu trabalho, após me formar na faculdade (Fundação Armando Álvares
Penteado – FAAP). Tinha acabado de adquirir um sobrado na região norte da cidade
de São Paulo e lá, coloquei as minhas máquinas (prensas para gravura em metal e
xilogravura), montei uma biblioteca técnica sobre o tema, além de comprar uma pá
de tintas e papéis para imprimir. Foi um sonho. Trabalhei todos os dias. Procurava
desenvolver uma série de imagens sobre a Serra do Mar. Na época, viajava muito para
Santos e ficava no Porto escrevendo e gravando em placas de cobre e latão, que levava debaixo do braço como um caderno de desenhos.

Você usou o valor do dinheiro para algo específico no trabalho ou na vida?

Então,como disse, investi de forma completa em materiais. É muito importante ter isso sempre em mente (boas tintas, papéis que respondem melhor à gravação em matrizes de cobre e madeira, enfim, procurei nos materiais que me faltavam uma espécie de alavanca para o meu desenho), ou seja, para uma forma de se trabalhar livre, experimentando muito, além de ter uma vivência fascinante de ficar no ateliê, o dia inteiro, o mês inteiro!

As coisas aconteciam mediante uma descarga desta natureza..., ir lá na Central dos Metais ou na Casa da Bóia e comprar de uma só vez 5 chapas de cobre para a gravação direta em ponta seca! Isso permite ao trabalho uma série de liberdades que seria impossível aqui relatar mas,acredito, está presente na imagem como processo.

O que você está fazendo hoje?

Trabalho com gravura em metal, xilogravuras, fotografias e objetos feitos com
madeiras encontradas na rua ou em casas de demolição.

A gravação e tudo que a envolve a sua história, me abriram inúmeras portas, inclusive,
para a ilustração regular de livros, como aconteceu com Os Irmãos Karamazov,
traduzido por Paulo Bezerra e que, a convite de Alberto Martins, da Editora 34, ilustrei
em nanquim e bico de pena. Procuro ficar no ateliê todos os dias, para criar imagens
que possam me dar suporte, sabe, uma energia para seguir em frente, respirando tanta coisa boa, feita em papel principalmente.

Dou aulas atualmente no ateliê Piratininga de xilogravura e gravura em metal, além de expor regularmente os meus trabalhos aqui e no exterior. Estou em duas galerias:
Gravura Brasileira (uma parceria de 7 anos com o Eduardo Besen) e a dois anos pela
Galeria Mezanino, que me levou para o SP Arte, onde tive a oportunidade de ter uma
obra adquirida pela Pinacoteca do Estado.

TRABALHOS